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Surfista salvou mais de 50 pessoas em enchente em São Bernardo: “Faria tudo de novo, sem pensar”

Surfista salvou mais de 50 pessoas em enchente em São Bernardo: “Faria tudo de novo, sem pensar”

Especialista em ondas gigantes, Marcelo Luna resgatou famílias inteiras em alagamento na última segunda-feira

O paulista Marcelo Luna acostumou-se, ao longo de toda a sua vida, com os desafios do inesperado. Skatista infantil dos bons convertido em surfista na adolescência, tornou-se especialista em encarar ondas gigantes, com mais de 20 metros de altura, seja como atleta ou como responsável por resgatar companheiros na praia.

Graças a Luna, para muitas dessas famílias o estrago não foi ainda maior. O surfista de 34 anos apanhou seu jet ski na manhã de segunda-feira – depois de ter passado a madrugada em uma igreja, ilhado devido às chuvas – e se pôs a cruzar as ruas de São Bernardo atrás de quem ficou para trás no rio de lama que se tornou o município.

As imagens do surfista a bordo de sua moto aquática viralizaram nas telas de TV e nas redes sociais.

-Virou um mar mesmo. Mais ou menos três metros e meio de altura, a água chegou. É difícil, né? Perder tudo assim, sabe? – disse Luna, que passa parte do ano em Nazaré, em Portugal, onde estão as maiores ondas do mundo.

Segundo o surfista, foram resgatadas mais de 50 pessoas entre 10h da manhã e 21h da segunda-feira. Ele se recorda em especial de uma casa com uma família de oito pessoas.

Além de operar o jet ski, Luna também contou com a ajuda de outros seis amigos, que lhe davam informações por rádio, proviam alimentos e auxiliavam na limpeza da moto, que virava e mexia sugava algum lixo e dava problemas.

Uma das pessoas salvas por Luna foi a modelo Najara Rodrigues, de 27 anos, que perdeu gatos e móveis na enchente.

A gente ficou desesperado. Sem comida, sem nada, sem bateria de celular. O Marcelo foi um anjo que apareceu para nos ajudar – disse a jovem, cujo pai também foi recolhido no jet ski.

Durante a operação de salvamento, Luna trabalhou também em parceria com o Corpo de Bombeiros local.

Eu passava na rua e gritava: “tem alguém em casa? Sai na janela para eu saber”. Porque as pessoas não ficam ali no portão. Foi difícil. É difícil você não ser humano numa hora dessa – comentou.

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