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Investigador Mauro Jr. explica como prevenir crimes virtuais durante a pandemia

Investigador Mauro Jr. explica como prevenir crimes virtuais durante a pandemia

Mauro Roberto de Souza Júnior é Investigador na Polícia Civil do Estado de São Paulo, especialista em investigação criminal tecnológica, atualmente exercendo suas funções na Unidade de Inteligência Policial do Departamento 9 em Piracicaba, tendo como área de atuação em 52 cidades da região.

Mauro Júnior já trabalhou na Delegacia de Polícia de Capivari, Delegacia Antissequestro de Campinas e Delegacia Especializada em Narcóticos de Piracicaba. É formado em Bacharel em Direito, Gestão em Segurança Pública e Pós-Graduado em Inteligência Policial. O investigador falou com o JCR e explicou como precaver crimes virtuais durante a pandemia. Desde o final de fevereiro de 2020, quando do início da pandemia do COVID-19 no Brasil, os crimes virtuais aumentaram drasticamente em nosso país, dentre eles, os golpes de estelionatos em ambientes virtuais. Entre março e maio de 2020, aumentaram em 108% a busca de informações pessoais de brasileiros na dark web, conforme registro no banco de dados estatístico do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (DEINTER 9) da Policia Civil do Estado de São Paulo (PCSP). Diariamente dezenas de Boletins de Ocorrência de estelionato são registrados em nossa região, sobre os mais variados tipos de golpes: Falso sequestro; Clonagem do aplicativo WhatsApp; Golpe do cartão bancário; Golpe do falso leilão.

Como funciona o golpe do falso sequestro?
O golpe do sequestro virtual não é novo e existe há pelos menos uma década. A maioria desses criminosos são detentos de unidades prisionais, que ligam para números aleatórios, e assim que a vítima atende outro criminoso começava a gritar no fundo da ligação – “Pai, me ajuda, socorro… fui sequestrado!”. Muitas das vezes as próprias vítimas acabam passando informações aos criminosos, como por exemplo, o nome de algum de seus filhos. Por meio disso os criminosos iniciam uma conversa pressionando a vítima e abalando seu estado psicológico, pois a grande maioria das pessoas não tem costume de lidar com esse tipo de situação e acabam ficando desesperadas fornecendo ainda mais informações aos criminosos. Durante o golpe, os criminosos pedem certa quantia em dinheiro, geralmente R$ 10.000,00, e ao decorrer da conversa essa quantia cai vultuosamente, chegando a casos em que a vítima acabou apenas comprando cartões de recarga de aparelhos celulares para repassar aos criminosos. Com o passar dos anos os criminosos foram aprimorando este tipo de golpe, criando um levantamento com dados mais preciso das vítimas, como por exemplo: nome dos filhos, data de nascimento, endereço, escola onde estudam, locais aonde costumam frequentar, empresas da família, veículos cadastrados, dados bancários, dentre outras informações apuradas em fontes abertas ou fechadas. Os estelionatários procuram localizar vítimas já de idade, pois é mais fácil convencer de que existe algum parente sequestrado, ainda mais, informando alguns dados que só a família conhece. Permanecem realizando várias ligações para a vítima, não deixando que a mesma avise a polícia ou algum familiar. As vítimas geralmente são forçadas a sair de casa e orientadas a procurar algum hotel em cidades vizinhas, mas antes disso, forçam a vítima a trocar de número telefônico, e algumas vezes a trocar de aparelho celular. Após este primeiro momento a vítima permanecerá incomunicável e despertará o desespero dentro da família. Outro ponto importante é ter ciência de que todas as contas bancárias informadas geralmente são abertas em nome de terceiros (laranjas), por meio de documentos falsos fornecidos à agência bancária. Por este fato, no mesmo momento em que o dinheiro é transferido para a conta bancária, já existe outro criminoso para sacar o dinheiro em espécie, caso a polícia esteja investigando, e para que o dinheiro não fique bloqueado na conta.

Como não ser uma vítima do falso sequestro?
Deve-se ter muito cuidado com as informações expostas em redes sociais, principalmente com relação a dados pessoas como: nome de familiares, placa e modelo de veículos, marcações de locais (check-ins). Atentar sempre a falsos perfis que solicitam amizade, que geralmente são perfis criados recentemente e com poucas fotos e comentários. As pessoas idosas devem ser orientadas para que não caiam neste tipo de golpe e para que não acabe passando informações para os criminosos, como por exemplo: “Qual é o nome da sua filha?”, “Quantos anos ela tem?”, “Quantos filhos você tem?”.Deve-se ficar claro que em um caso real de extorsão mediante sequestro onde a vítima fica em pode dos sequestradores por dias e até meses, o procedimento é totalmente diferente, já iniciando pela primeira ligação que duram apenas alguns minutos. Tivemos casos de falso sequestro em que as vítimas permaneceram por mais de 10 horas em ligação com os criminosos. Outro principal ponto que diverge de um sequestro virtual é o valor solicitado. Em uma situação real o valor solicitado pelos criminosos para a soltura da vítima é exorbitante, exatamente ao contrário de quando se trata golpe de falso sequestro onde o criminoso pede um valor relativamente baixo, e o valor vai baixando rapidamente com o decorrer da ligação, sendo costumeiro até a seguinte frase por parte dos criminosos: “Qual é o valor que você tem ai agora em mãos?”. Até mesmo cartões de recarga para celular são solicitados pelos criminosos, como “pagamento” do falso resgate.
Algumas orientações de como evitar esse tipo de golpe são: sempre que receber uma ligação suspeita desligue o telefone celular, em se tratando de linha fixa, retire o fone do gancho pro algumas horas. Não tome atitudes precipitadas. Não entre em desespero, pois você não está em risco. Tenha um identificador de chamadas em seu telefone. Quando os criminosos perceberem que não conseguirão te extorquir, com certeza irão desistir. Desligue o telefone e entre em contato com a suposta vítima sequestrada, verificando que está tudo bem. Não prolongue conversa com o criminoso, diga que a ligação está ruim e desligue. Em caso de ter sido uma vítima, procure a Delegacia da Polícia Civil mais próxima para o registro dos fatos.

Como funciona a clonagem do aplicativo WhatsApp?
O objetivo principal do estelionatário é que a própria vítima forneça o código de verificação do WhatsApp de 6 dígitos, que é recebido através de mensagem SMS enviada ao próprio celular da vítima. São inúmeras histórias cobertura que os criminosos utilizam para que a vítima forneça esses dados, como por exemplo: Anúncios em sites de vendas (OLX, WebMotors), onde entram em contato e dizem que para validar seu anúncio, é só informar o código de 6 dígitos recebido via SMS. Recentemente eles inovaram, estavam fazendo uma falsa pesquisa do COVID-19 questionando quantas pessoas da família já haviam adquirido o vírus, sob o pretexto de estatísticas. Ao finalizar a ligação, para que fosse validado a pesquisa, era só informar o código de 6 dígitos recebidos via SMS no telefone da vítima. Através do código de verificação do WhatsApp é possível instalar o aplicativo com o número da vítima em outro celular e a partir daí se iniciam os golpes, em sua maioria, pedindo dinheiro emprestado para os contatos da vítima.

Como se precaver?
É bem simples! Basta ativar a verificação de segurança em duas etapas do próprio aplicativo WhatsApp, que desta forma o criminoso não irá conseguir utilizar seu número, pois será solicitado a ele também este código no momento da transição do número. Caso conheça alguma pessoa que teve o número clonado, não se desespere. Tente avisar através de redes sociais todos os seus amigos dizendo que seu aplicativo foi clonado. Envie um e-mail para support @whatsapp. com com o assunto “furto/roubo de aplicativo” e no corpo do e-mail o solicitante deverá explicar que acabou caindo em um golpe, pedindo a restituição de sua conta. Em cerca de 3 a 5 dias a conta será devolvida à vítima.

Como funciona o golpe do cartão bancário?
A vítima recebe uma ligação supostamente do seu banco questionando se seu cartão pessoal foi utilizado em alguma transação bancária, relatando que gastaram um alto valor em seu cartão. Logicamente que a vítima diz que não utilizou o cartão e a atendente diz que o banco irá bloquear o cartão por segurança. Os criminosos, se passando pelo setor de segurança do banco, orientam a vítima a quebrar o cartão e colocar em um envelope, pois enviará um motoboy da empresa até a residência da vítima para retirar o cartão. Com o cartão em mãos mesmo que quebrado, e utilizando-se somente os dados contidos nele, como por exemplo, data de validade, número, nome e código de segurança da parte traseira, consegue efetuar qualquer tipo de compra on-line em nome da vítima.

Como não cair no golpe?
É bem simples! Basta não entregar o cartão a ninguém, pois não é procedimento das agências bancárias enviarem motoboy para a retirada de cartões. Quando um cartão bancário é bloqueado, outro novo cartão é enviado via correio.

Como funciona o golpe do falso leilão?
Neste caso os criminosos criam sites fraudulentos que realmente se parecem com os sites reais. Colocam informações de veículos e inclusive dados como nome do leiloeiro, CNPJ da empresa, telefone fixo, tudo para parecer um site idôneo de leilões, inclusive com documentação aparentemente em ordem. Os veículos são oferecidos abaixo da metade do preço de tabelo, despertando o real interesse das vítimas. Ao fazer as ligações para o telefone descrito no site, a atendente solicita para que iniciem a transação via aplicativo WhatsApp, fazendo inclusive o envio de falsos contratos de arremate com os dados do leiloeiro. Os criminosos ainda aceleram o acordo dizendo que já existem outras pessoas com interesse no referido veículo e que a qualquer momento poderá ser arrematado e desta forma a vítima acaba fazendo a transferência. Após se certificarem que foi realizada a transferência, o telefone é bloqueado e a vítima percebe que caiu em um golpe.

Como evitar o golpe do falso leilão?
Antes de fazer qualquer transação bancária, se dirija até o pátio de veículos e certifique-se que o pátio realmente existe e que a empresa é idônea. Pesquise também o nome do leiloeiro e tire todas as suas dúvidas antes de fazer qualquer contrato. Peça também para analisar o veículo no pátio, certificando que o anúncio é real.

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